2001: O Espírito de Portugal

Lisboa, Hugin, 2001.

Dia do lançamento: 15 de Março, no Palácio Galveias.

DA CONTRACAPA:

Todavia, depois do percurso de ascensão e de glória universal, sentida pela Pátria após a crise de 1383-85, Portugal prepara-se para a catábase decisiva da sua existência. E será com o desastre militar do exército português em Alcácer Quibir que Portugal se purificará, pois a perda da independência e a reformulação do espírito português (sempre na continuidade da espiritualidade templária e joaquimita) serão causa para a Nação se perpetuar, pelo sentido teleológico que a formou, no Mito. E o Mito de D. Sebastião fortaleceu a alma do povo e a consciência do futuro.

SOBRE O LIVRO: in O Diabo, 13 de Fevereiro de 2001, Ano XXV, n.º 1259. p. 28.

Lançando mão de uma metodologia plena de mística, S. Franclim faz o seu primeiro «voo» ensaístico neste seu Espírito de Portugal, O Quinto Evangelho. Autêntica viagem às raízes de um «fado» lusitano, na procura da alquímica construção de uma reindependência cíclica da nossa pátria, por entre as brumas, soerguendo mitos por entre dias enevoados.

Franclim parte de Sintra ao encontro das profecias de Nostradamus, do Bandarra, e sucumbe à mística onde Pessoa também não resistiu. Consulta o oráculo em demanda dos mistérios da existência, da essência de um país, este que é o nosso.

«Verdades», questões em que despontam aqui e ali factos, muito ao gosto dos racionalistas, a viagem vai ao encontro, com a lucidez dos espíritos mais abertos, de uma «soberania nacional assente na divina relação com o resto do mundo».

É esse «evangelho que não está escrito», mas assumidamente vivo no espírito do português, que o autor aborda, ao encontro de uma espiritualidade que se assume, mesmo assim transformada, simplificada, nada transcendente em mais um volume da biblioteca hermética.

Ainda espera­mos o rei perdido em Alcácer, como quem espera o cumprimento de uma profecia, do tal «quinto evangelho» que gradualmente toma forma nos quotidianos que se vivem.

Retomando a ideia da crónica de D. João I, em que Fernão Lopes nos apresenta Nun’Àlvares como mais um dos apóstolos, que, tal qual Gabriel, anunciou o nascimento, fundamentando o nascer de uma pátria na aparição de Cristo a Afonso Henriques, fica a saga recontada de uma missão divina para um país que se foi construindo através dos tempos, na expansão da fé, na descoberta de novos mundos.

Uma tese que se fundamenta na criação e expansão da Ordem do Templo, sediada em Jerusalém, que Afonso Henriques, como «irmão», anunciou e propagou no seu projecto.

Episodicamente aflorando no decorrer dos séculos, a doutrina foi frutificando, colhendo a pátria os frutos da sua devoção, seja nos campos de Ourique, seja em Aljubarrota ou noutro qualquer grande desafio, superado com intervenção e intersecção divinas, numa batalha náutica de um caminho marítimo para a Índia, contra um Adamastor, vencido e convencido pela arte de um Infante de Sagres, também ele envolto na lenda.

O lendário império espiritual e universal, não cessando de nos espantar, surge ainda com o estudo da simbologia das datas e prolonga-se no laicismo especulativo surgido já recentemente, ligado ao Ciclo do Povo, iniciado com a criação de lojas de pedreiros livres. Fica a reflexão-viagem, no retomar desta tradição bem nossa de acreditar, semana a semana, na sorte e no sentir espiritual português, da procura de uma identidade bem singular, em plena diversidade europeia.

O futuro de um Quinto Impé­rio, a tal idade do Espírito-Santo de que Agostinho da Silva falava e o prólogo anuncia, que o povo traduzem peregrinações e devoções a uma virgem de Fátima descendente de uma monarquia que ofereceu a coroa e escolheu uma padroeira entre os santos.

Demorará a surgir? Resta-nos conjecturar esse «Rei do Mundo»?

Até lá, participamos nesta aventura colectiva, que, entre o sagrado e o profano, continua a doutrina… acreditando num destino comum ao encontro das profecias. Porque não aceitar a especulação, que mergulha nas profundezas da nossa identidade, e continuar à espera do «Encoberto» salvador…já agora de uma Europa que paga para ver.

ÍNDICE DO LIVRO:

Prólogo

Primeira Parte: 1128 – 1578

– A INICIAÇÃO DE PORTUGAL (UM PERCURSO)

– PORTUGAL COMO A PRÓPRIA ORDEM DO TEMPLO

– A CHAVE DA INICIAÇÃO DE PORTUGAL (O CLAUSTRO DOS JERÓNIMOS)

Segunda Parte: 1578 – 1717

– A IGREJA DO AMOR

– O IMPÉRIO ESPIRITUAL

Terceira Parte: 1717 – 1978…

– O CICLO DO POVO

– O HORÓSCOPO DE PORTUGAL

Últimas Reflexões

Seguido do opúsculo: METAFÍSICA DO FUTURO

I – PRÓLOGO

II – A INICIAÇÃO

III – O ESTRANGEIRO

IV – O SENTIDO DO QUINTO IMPÉRIO

V – ÚLTIMAS REFLEXÕES

A capa do livro foi idealizada a partir do quadro de Cristóvão Morais.