2001: O que é o Islão?

Lisboa, Vega, 2001.

 

DA CONTRACAPA:

O Islão é uma das maiores religiões do Mundo. Apesar disso, a maior parte dos ocidentais desconhece o que está inerente à sua revelação e à vida do seu fundador – Muhammad (Maomé), vida que é, sem dúvida, a génese da religião muçulmana. Com esta obra, pretendemos, de uma forma clara e directa, dar a compreender os fundamentos do Islão, através dos conceitos básicos da sua teologia e da sua história. No final do livro, excertos do Qu’ran (Alcorão) permitirão uma pequena viagem ao leitor pelo livro sagrado. A “oração secreta” dos ismailis permitirá também uma viagem pelo espírito religioso de um muçulmano. O que é o Islão? é, assim, a iniciação do cristão e de todos os outros homens que professam um credo diferente da verdade de uma religião tida como revelação do próprio Deus; é a iniciação do leitor sedento de  compreender o seu próximo pela história e pela verdade religiosa.

S. Franclim nasceu na cidade de Lisboa em 1978. Licenciou-se pela Universidade Nova de Lisboa, em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses. Durante o ano de 2000 foi director da biblioteca muçulmana do Centro Ismaili de Lisboa.

 

ÍNDICE DO LIVRO:

Prólogo

Capítulo I: O CONCEITO DE ISLÃO

CAPÍTULO II: A GÉNESE DO ISLÃO

CAPÍTULO III: O ALCORÃO E OS PILARES DO ISLÃO

CAPÍTULO IV: JESUS – UM DOS PROFETAS DO ISLÃO

CAPÍTULO V: CRENÇAS DO ISLÃO E ASPECTOS DA VIDA DE UM MUÇULMANO

ÚLTIMAS REFLEXÕES (PERANTE O TERRORISMO)

APÊNDICE I: EXCERTOS DO ALCORÃO

APÊNDICE II: COMUNIDADES MUÇULMANAS EM PORTUGAL

APÊNDICE III: DUÁ – A “ORAÇÃO SECRETA” DOS MUÇULMANOS XIITAS ISMAILIS

SOBRE O LIVRO: in Público, 16 de Fevereiro de 2002.

O artigo sobre O que é o Islão? teve direito a uma página inteira no referido jornal. A autora, Margarida Santos Lopes, é a prova de que a “ignorância jornalística” é por vezes assustadoramente enorme. A referida autora partiu do pressuposto que S. Franclim era muçulmano, mais concretamente ismailita. Partindo deste pressuposto, errado, escreveu um ensaio sem nexo. (Esperemos que o seu dicionário sobre o Islão seja um pouco melhor!)

A leitura do texto deve ser feita com a consciência de que S. Franclim não é muçulmano. Foi responsável pela Biblioteca do Centro Ismaili de Lisboa e foi tido como muçulmano. Deve ser do nome Franclim… nome típico da cultura muçulmana, como Karim ou Muhammad.

Percebo agora porque em certos países há censura… É para não se escreverem ensaio ilógicos como o de Margarida Santos Lopes. (Ai! Se a senhora estivesse num país islâmico!)

O ISLÃO SEGUNDO UM ISMAILITA DESILUDIDO (O título resume a ideia errada que a dita jornalista teve para construir o seu ensaio.)

S. Franclim quis escrever um livro sobre o Islão para sossegar os espíritos de um “Mundo Ocidental” que “tremeu” depois dos ataques terroristas cometidos, em 11 de Setembro de 2001, em Nova Iorque e Washington. Seria louvável o esforço de esclarecimento se a sua linguagem não estivesse impregnada da “arrogância” que atribui aos que não entendem o farto de os discípulos do profeta Maomé “rezarem parte do tempo de rabo no ar.”

Ex-director da Biblioteca do Centro Ismaili de Lisboa, S. Franclim defende a sua fé com forma demasiado superficial — e com um vocabulário pobre —, deixando os leitores aturdidos. Ao transcrever alguns “suras” (capítulos) do Corão, S. Franclim terá pretendido familiarizar os não-muçulmanos com o Livro Sagrado dos crentes de Alá, mas, como não justifica a selecção feita, a ideia que prevalece é a de que os excertos apenas foram incluídos para “encher páginas”.

Em todo o caso, vale a pena passar os olhos por este livrinho, pelo simples facto de ter sido escrito por um membro de uma subseita do xiismo (Esta foi a afirmação que o autor considerou mais hilariante; a ideia é quase o número de um mau palhaço.), com rituais secretos, ainda vista por alguns ortodoxos sunitas como herege. A parte mais interessante da obra é precisamente o Apêndice II, que dá algumas pistas sobre a comunidade que não reza em mesquitas mas num lugar de culto designado Jamat-Khana, e que é orientada por um descendente directo do profeta Maomé com o nome terreno de Karim e o título divino de Aga Khan IV — o 49° imã (líder espiritual) dos ismailitas.

Até quando se refere à sua família religiosa S. Franclim é amargo na abordagem: “Grande parte dos ismailis de Portugal, principalmente os jovens, foram ocidentalizados. […] O desconhecimento da sua história religiosa torna-os distantes da identidade que possuem e a anulação de todo o seu passado cultural torna-os susceptíveis de não serem mais muçulmanos.” S. Franclim chora também a morte lenta entre os ismailitas portugueses do gujarati, língua falada em Guzarate, na Índia, de onde provém a maior parte da comunidade original que primeiro emigrou para Moçambique antes de se reinstalar em Portugal. É curioso, por outro lado, que ele seja mais condescendente com os sunitas — os que escolheram Abu Bakr, primeiro discípulo de Maomé, como seu sucessor — do que com os xiitas — os que tomaram o partido de Ali, primo e genro do Mensageiro de Alá, provocando o grande cisma do Islão.

Entre os sunitas, escreveu S. Franclim, “não há distinções de ordem económica, como sucede na comunidade ismaili”. E, embora reconhecendo que os sunitas são “mais conservadores do que os xiitas”, considera que talvez seja isto que os “torna mais próximos da pureza islâmica.”

Neste aparente distanciamento, S. Franclim termina “O que é o Islão?” revelando a “Du?a” ou “oração secreta” dos ismailitas, mesmo reconhecendo que a ela “não deverão ter acesso os que não são parte da comunidade”. Nesta prece há louvores — ao “xá Karim al-Husseini, o verdadeiro Imã manifesto” — que outros muçulmanos certamente nunca repetirão.

Margarida Santos Lopes

O que é o Islão? no Diário de Notícias de 1 de Fevereiro de 2002.