2006: O Perdão dos Templários

Lisboa, Zéfiro, 2006.


DO SITE DA ZÉFIRO:

«Perdoados, absolvidos em Chinon; depois acusados, contraditórios, afirmando e negando, de nada lhes valeu, pelo menos em termos de justiça terrestre, a absolvição de Chinon.»

Pinharanda Gomes

«Salvo a honra e o respeito que devo ao soberano pontífice e aos cardeais que atestam as confissões do (grão) mestre, eu não posso crer que ele tenha confessado os crimes de que a Ordem é falsamente acusada.»

Padre Barthélemy de La Tour

Este livro toma como ponto de partida o Pergaminho de Chinon, um manuscrito encontrado na Biblioteca Secreta do Vaticano em 2002, que indicia um “perdão secreto” dado aos templários pela Igreja, em 1308 – um ano após a perseguição feita aos cavaleiros. O manuscrito foi traduzido por especialistas directamente a partir do documento original, em latim medieval. A sua tradução, bem como a transcrição, são publicadas pela primeira vez na língua portuguesa.

Para além da investigação sobre o referido pergaminho, este livro contém diversas revelações, nunca antes publicadas a nível mundial, sobre a Ordem do Templo, bem como outros artigos sobre a história da Ordem desde os seus primórdios, à sua continuação em Portugal como a Ordem de Cristo, até às sobrevivências actuais do espírito templário.

Uma obra inovadora e de referência que irá, sem dúvida, ajudar a abrir novas portas para o estudo do Templo.

ÍNDICE DO LIVRO:

Introdução

I – Sete séculos mais tarde…

por Alexandre Gabriel

II – Breve Resumo da História dos Cavaleiros Templários

por Luís-Carlos Silva

III – O Processo de Condenação dos Templários

por Eduardo Amarante

IV – O Pergaminho de Chinon

V – Templários: O Perdão de Chinon e a Revisão do Processo

por Pinharanda Gomes

VI – “A Passagem do Testemunho”: Da Ordem Templária à Ordem de Cristo

por Rainer Daehnhardt

VII – Neo-Templários em Portugal e o Espírito de Cavalaria

por José Medeiros

VIII – Após a Segunda Condenação ou Os Novos Templários

por Sérgio Sousa-Rodrigues


DISCURSO PRONUNCIADO NA APRESENTAÇÃO DO LIVRO EM TOMAR (sexta-feira 13-10-2006):

Ao longo da História, têm existido as mais injustas condenações. A condenação dos templários pertence a esse rol. A ganância de um rei e a fraqueza de um papa ditaram o fim dos mais extraordinários cavaleiros da Idade Média. Quando o último grão-mestre da Ordem do Templo ardeu na fogueira da intolerância, invocou o rei e o papa a comparecerem diante de Deus num ano. E, num ano, esses dois seres humanos morreram. Morreu o ganancioso rei e morreu o papa que não era já vigário de Deus, mas do rei ganancioso.

Por isto, o dito Pergaminho de Chinon é hoje somente um testemunho de uma possível inocência. O papa não soubera proteger os monges que unicamente perante ele podiam responder. Os templários sofriam a primeira condenação; mas não teriam fim, apesar de a Ordem ter sido suspensas em 1312 e de, dois anos depois, ter sido queimado o seu último grão-mestre.
Com D. Dinis, houve a nacionalização dos templários. A Ordem de Cristo, que teve a sua sede onde nos encontramos, assumiu o devir o da Ordem do Templo e pôde continuar a cruzada que um tal S. Bernardo havia séculos antes pensado. Far-se-ão os Descobrimentos, e as caravelas portuguesas levarão a cruz da Ordem de Cristo, símbolo de Portugal, até aos confins do Mundo. No período áureo de Portugal, era a nova Ordem do Templo, a Ordem de Cristo, que estava no leme.
Porém, o negrume invadiu o espírito português. Os monges cavaleiros já não podem ser as duas coisas: monges e cavaleiros. De facto, com D. João III, a ordem passa a ser de clausura, perdendo parte da sua natureza.
Passando o rei negro da Inquisição, surge um rei sonhador, o rei que fora chamado o Desejado. Poderá ele impedir a segunda condenação da ordem templária, iniciada com o seu avô?… Mas D. Sebastião, o Desejado, desaparece no Norte de África, partindo, deste modo, para o reino do nevoeiro.
A Ordem de Cristo, herdeira da Ordem do Templo, é secularizada por D. Maria I em 1789, perdendo a sua natureza monástica. É recuperada em 1918 pela república portuguesa, tornando-se título honorífico.
Os cavaleiros da Ordem de Cristo já não eram monges nem o nome que usavam: cavaleiros. Haviam partido, talvez para o reino do nevoeiro, onde se juntaram a D. Sebastião. E, se o rei nevoeiro regressar há-de regressar com um exército de templários, pois haviam sido estes os primeiros a sonhar o Quinto Império – o império da fraternidade.
Hoje, 699 anos depois do 13 de Outubro de 1307, lembramos o dia que deu início à primeira condenação dos templários. Mas lembremo-nos também da segunda condenação. E essa é portuguesa. Começou com D. João III, que tirou aos membros da Ordem de Cristo a natureza cavalheiresca, e prolongou-se com D. Maria I, que acabou por tirar a esses honrosos monges a natureza monástica. Haviam deixado de existir os monges cavaleiros.
Todavia, no inconsciente colectivo de Portugal, o símbolo da Ordem de Cristo permanece lúcido. A cruz da Ordem de Cristo está por todo o lado: na bandeira da Madeira, no logótipo da Federação Portuguesa de Futebol, nas insígnias militares, nos monumentos, etc. Nesse inconsciente colectivo, temos a resposta para aquilo que os portugueses são e têm de cumprir neste mundo; mundo coberto de nevoeiro e que poderá ser um mundo perfeito se cada um dos seus habitantes for templário em espírito.
Enquanto não há mundo templário, há um país que o sonha: Portugal! E Portugal não pode temer o nevoeiro do futuro – tem de continuar à espera de D. Sebastião e dos novos templários. Mas esses templários poderão ser cada um de nós se cada um de nós compreender o símbolo que eles são e se pusermos em prática o amor ao próximo.
Obrigado por me terdes escutado.

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