1999: Espírito Infinito

Lisboa, Universitária Editora, 1999.

Dia do lançamento: 11 de Novembro, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

DA CONTRACAPA:

S. Franclim é finalista da licenciatura de Estudos Portugueses da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Tive a oportunidade de acompanhar a sua produção poética até à elaboração do livro Espírito Infinito que já contém uma maturação de ideias invejável e uma sensibilidade perante as questões filosóficas concernentes ao Eu e ao Ser. Quem o conhece bem – e como professora de S. Franclim ao longo de dois anos pude observá-lo – sabe das suas capacidades ensaísticas em torno de questões que envolvem a portugalidade tão caras a autores como António Quadros ou António Telmo. Que a esta estreia poética se sucedam outras obras de fôlego é o meu maior ensejo.

Cecília Barreira

SOBRE O LIVRO: in Éter, Ano 2, n.º 5, Out./Dez. 1999.

O ESPÍRITO INFINITO

“Não sei que versos a minha inspiração me fez crer quando senti. Sei que todos eles foram versos da alma, tão sedenta de liberdade e de Perfeição. Senti e escrevi, talvez sem saber que não era eu que escrevia – que sentia, os mais recônditos segredos da luz interior, luz revelada e mentida na realidade tão plausível na poesia que é.”

Chama-se S. Franclim, o novo poeta que vos apresento, “que renasce a partir das cinzas da poesia”, finalista da licenciatura de Estudos Portugueses da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Tem apenas vinte anos, mas muito de sabedoria e poesia.

Conhecemo-nos por acaso, ou talvez não, algo parecia já destinado neste nosso encontro – como ele próprio afirma, “os espíritos disso se encarregaram”, os destinos tocaram-se e assim nasceu uma amizade…

Desde criança que tem a consciência de que é especial, como que soprado por uma missão na terra; por um lado, limar arestas como ser imperfeito que é, e por outro, um dever para com a pátria das tradições e é claro para com D. Sebastião. Os seus mestres literários são Álvaro de Campos, Carlos Queiroz e os Românticos, porém a sua escrita é mágica – “não sou eu que escrevo” -, os “espíritos” revelam-se, percepcionam-se quando escreve:

“Em verdade, eu não sofro:
sofrem os meus versos
quando eles gemem
o sentido
que não têm.
Mas se o tem,
Não o partilham
Com o Poeta….
Em verdade, eu não sofro,
E nem sei se sofrem
Os meus versos.
Talvez sofra
Aquele que os ler.”

Neste primeiro livro de S. Franclim, dedicado ao seu tio e aos Espíritos, as palavras “Perfeição” e “sonho” ganham a forma de máximas e o amor adquire um sentido escondido mas sempre constante. Os poemas são sentimento duma ânsia de Perfeição, navegando sempre no barco do Eu e do Ser, gritando sentimentos que o poeta não sofre mas que o Sérgio sente. Seremos Perfeitos?

“Um poeta, pela distância da verdade,
busca atingir o infinito:
a eternidade da sua Perfeição.
Talvez renasça e seja novamente menino,
Talvez morra e seja finalmente Luz!”

Não sei que palavras dizer, pois a minha inspiração trai o Poeta; S. Franclim, Espírito Infinito Negras Paisagens, publicado agora pela Universitária Editora, está vivo e recomenda-se a todos os que gostam deste mistério que é a vida…

Ana Lídia Infante

SOBRE O LIVRO: in Nova em Folha, n.º 27.

O Poeta que renasceu das cinzas da Poesia, é a melhor descrição que consigo encontrar para S. Franclim. E Espírito Infinito – Negras Paisagens, a sua primeira publicação, assemelha-se bastante a um diário desta sobrevivência, busca constante. Mas não o tradicional diário, registo metódico das acções a e actividades terrenas. A obra que Franclim produziu é como que uma recolha de muitos dos pensamentos, meditações e reflexões metafóricas que todos temos no dia a dia . Só que, enquanto uns preferem ignorá-los ou deixá-los escapar por entre montras reluzentes ou revistas coloridas, Franclim registou-os nesta obra. com um notável estilo poético e uma percepção extraordinária. Demasiado marcado por Deus. omnipresente em cada verso de Franclim, este ‘diário’ é uma crucial e reveladora análise do homem e do Poeta, intensamente perscrutadora. A meu ver, Franclim perde-se, por vezes, em demasiadas autocontemplações, elevando-se a si próprio do estatuto de Homem, ao de Poeta e até, ao de Arauto de Deus. Em relação aos dois primeiros, Franclim tem toda a legitimidade, pois as suas visões são intensamente humanas e fluentemente poéticas. A sua condição de Arauto está (ou não) fundamentada na sua poesia e cabe a cada um descobrir por si próprio. A obra em si, proporciona grandes momentos de poesia, com negras paisagens e profundas interrogações. Os amigos, o amor, o Homem, a Mulher, o Poeta, a Fé e muitos mais temas são aqui vistos sob a enriquecedora lupa de Franclim, o Homem, o Poeta e o Arauto de Deus…

“Crer? Ou simular um sorriso e morrer?”
Miguel Barradas